sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Ex-nazi deixa vídeo em que justifica a morte de 335 pessoas

O antigo capitão nazi Erich Priebke foi responsável pela morte de 335 italianos, 75 dos quais judeus, em 1944. Condenado a prisão perpétua em regime domiciliário desde 1998, faleceu esta terça-feira, deixando um controverso legado: um vídeo em que justifica o assassinato numa conversa com o seu advogado, Paolo Giachini.
Durante a conversa com Giachini, o ex-oficial das SS (força de elite nazi) defende que o genocídio foi uma represália intencionalmente desencadeada pelos comunistas ao provocarem um atentado contra as SS. Este episódio da II Guerra Mundial ficou conhecido como o Massacre das Fossas Ardeatinas e foi ordenado por Hitler, ao ficar enfurecido com a morte de 33 soldados alemães num ataque de guerrilheiros em Roma. Hitler decidiu que para cada alemão morto, dez civis teriam de ser executados. As vítimas do massacre foram reunidas por Priebke e e pelo oficial Karl Hass, com quem liderava as SS, e assassinadas com um tiro na nuca no interior dos túneis, que foram posteriormente detonados. Depois da guerra, Priebke fugiu para a Argentina com uma identidade falsa, voltando a usar o seu nome verdadeiro algum tempo depois. Trabalhou durante décadas como professor em Bariloche, sendo descoberto, em 1994, por uma equipa de jornalistas a quem concedeu uma entrevista sobre o genocídio em que alegou que "estava a seguir ordens". No vídeo que deixou por altura da sua morte, confessa ao advogado que "a execução foi uma coisa horrível, mas era impossível negá-la. Eram ordens diretas de Hitler". Devido à magnitude do crime e por não mostrar arrependimento, o Vaticano reservou-se o direito de negar a legitimidade do funeral em público, assim como o autarca da cidade, Ignazio Marino. A comunidade judaica agradeceu o ato que considerou "histórico". Ainda assim, por ordens da família do antigo oficial, Paolo Giachini pediu autorização ao governo civil para trasladar o cadáver para a comunidade de Albano Laziale, mesmo sabendo que Roma o receberia em pé de guerra. A cerimónia fúnebre de Erich Priebke originou um tumulto fortemente escoltado pela polícia.

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